O presidente-executivo da montadora japonesa Toyota, Akio Toyoda, deve admitir que a empresa registrou "um crescimento rápido demais" e pedirá desculpas, assumindo "plena responsabilidade" pelas falhas que levaram a um megarecall de carros da empresa nos Estados Unidos. As informações são de um discurso que deve ser pronunciado por ele nesta quarta-feira ante o Congresso e que foi divulgado à imprensa com antecedência. Diretores da companhia começaram a responder as críticas e perguntas de congressistas americanos nesta terça-feira, o primeiro de dois dias de audiências.
De acordo com informações da Reuters, Toyoda aproveitará sua presença no Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara de Representantes para fazer outro "mea culpa" e se comprometer a recuperar a confiança dos consumidores americanos após o recall de 8,5 milhões de veículos.
"Nos últimos meses, nossos clientes começaram a questionar a segurança dos veículos da Toyota, e assumo plena responsabilidade por isso. Sinceramente, temo que o ritmo do nosso crescimento tenha sido rápido demais", diz Toyoda na nota.
Segundo o executivo, as prioridades de produção da companhia foram a segurança, a qualidade e o volume, nessa ordem, e a empresa se "confundiu" ao se concentrar em uma produção mais acelerada do que aquela para a qual estava preparada.
Na audiência desta terça-feira do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, Henry Waxman, presidente do Comitê, se declarou "decepcionado com a reação da Toyota aos problemas de aceleração", a origem dos recalls em massa que retiraram 6 milhões de veículos de circulação nos Estados Unidos e 9 milhões no mundo.
Ao abrir a sessão, o democrata Bart Stupak (Michigan), que coordena as investigações do Comitê, expressou suas dúvidas em relação à confiabilidade dos sistemas eletrônicos dos automóveis Toyota, que poderiam ter causado os problemas de aceleração súbita constatados.
Além disso, Stupak questionou o controle da Agência de Segurança de Transportes Americana (NHTSA) sobre o caso, indagando se o órgão não teria sido "consdescendente demais com o setor" automotivo.
O congressista também acusou a Toyota de ter "enganado os consumidores americanos" em suas declarações sobre os problemas de aceleração súbita, e de ter-se baseado em informações incorretas para descartar a possibilidade de defeitos nos sistemas eletrônicos dos carros como possível causa do problema no pedal de aceleração.
O Comitê ouvirá ainda nesta terça-feira as declarações do secretário de Transportes americano, Ray LaHood, e do diretor de operações da companhia japonesa no país, Jim Lentz.
Lentz acredita que os sistemas da empresa não apresentam problemas, segundo o texto de suas declarações distribuido à imprensa, ainda que reconheça que a companhia levou "tempo demais para tomar uma atitude sobre os problemas excepcionais de segurança, mas sérios", e atribuiu a demora a "uma comunicação ruim no interior da Toyota, com os reguladores e os consumidores".
A empresa consertou "cerca de um milhão de veículos" desde o início da crise no fim de janeiro, a um ritmo de 50 mil veículos diários, segundo Lentz.
Já o secretário de Transportes, Ray LaHood, defenderá seu trabalho e também a NHTSA, segundo uma cópia de seu discurso.
"Desde que assumi funções 13 meses atrás, disse que a segurança era a prioridade número um do departamento. Quero pensar que damos mostras desse compromisso", afirma o texto distribuído à imprensa. "O caso da Toyota é um problema muito sério e o tratamos com seriedade", afirmou.
Fonte: Reuters
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
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